
Exposição “MAB: Você Está Aqui” reconstrói a história pouco conhecida da instituição
O que acontece com um museu quando suas portas permanecem fechadas por décadas? A trajetória do Museu de Arte de Brasília guarda lacunas, silêncios e recomeços que agora vêm à tona na exposição “MAB: Você Está Aqui”. A mostra, resultado de uma década de pesquisa da arquiteta Maíra Oliveira Guimarães, foi aberta ao público em 24 de março para revelar a saga de uma instituição marcada por impasses, interrupções, reinvenções e, sobretudo, por uma pergunta insistente: que museus Brasília poderia – e ainda pode – ter?
Mais do que uma mostra de arte, “MAB: Você Está Aqui” é uma “biografia visual” de uma das instituições mais emblemáticas e resilientes da capital federal. A exposição traz obras do acervo, fotografias e documentos históricos do Arquivo Público do Distrito Federal, do Instituto Moreira Sales e do próprio Museu de Arte de Brasília para mostrar o desenvolvimento do Território, do Edifício e da Instituição.
Ao longo do percurso expositivo, o visitante é convidado a um exercício de imaginação crítica sobre o futuro dos museus, da cidade e da memória coletiva. Fotografias e documentos raros, projetos arquitetônicos esquecidos e obras do acervo público se entrelaçam para revelar como a história do MAB reflete, em grande medida, as contradições, impasses e potências da própria Brasília.
Legado e patrimônio
De acordo com Maíra Guimarães, a trajetória do edifício que hoje abriga o MAB é uma das mais antigas e conturbadas da capital. O prédio foi construído em meio aos preparativos para a inauguração da cidade e foi projetado para servir como restaurante do conjunto de cinco edificações do Anexo do Brasília Palace Hotel. Em pouco tempo subutilizado, passou a abrigar outros diversos usos, tendo funcionado como Clube das Forças Armadas, Associação Atlética Novacap e até como Casarão do Samba, quando, por fim, em 1985, foi convertido na primeira sede do acervo de arte do Governo do Distrito Federal.
“A exposição não é apenas sobre o passado; é sobre os espaços públicos que Brasília ainda pode ter”, afirma Maíra Guimarães. “É um convite para o público entender que o patrimônio é um processo em constante disputa e construção, como as próprias cidades.”
Acessibilidade e futuro
Alinhada ao compromisso democrático de garantir o acesso à Cultura, a exposição também deixa um legado para o público: maquetes táteis do edifício do MAB. As peças serão incorporadas ao acervo permanente, assegurando que a história da arquitetura brasiliense seja sentida para todos os públicos. Além das maquetes, todos os materiais informativos produzidos também serão doados à instituição para remontagem futura.
SERVIÇO:
Exposição: MAB: Museus Possíveis
QUANDO: até 24 de maio de 2026
ONDE: Museu de Arte de Brasília – MAB
QUANTO: Entrada gratuita
Mais informações: @museus.possiveis
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